sexta-feira, 16 de abril de 2010

O bar e o trovão

E lá estava ela com aquele sorriso tão lindo, mas que escondia por trás uma imensa tristeza. Nossa amizade havia começado tão de repente, que nossos segredos mais íntimos começaram a ser revelados a medida que nossos encontros naquele barzinho aumentavam.

Éramos perfeitos. Como diriam as pessoas, perfeitas almas gêmeas. Costumávamos sair quase toda a noite e aquele barzinho se tornou nosso ponto de encontro.



Lá era o nosso mundo surreal, pois estando juntos dividíamos nossos temores e alegria, um completando as palavras do outro, e essa amizade começou a se tornar algo mais. Tínhamos tanto conhecimento da vida um do outro, que havia a sensação de que já vivíamos juntos há muito tempo. Naquela bela noite de sexta, algo estava para acontecer.

Eu particularmente estava ansioso e a algum tempo já sentia que realmente algo maior poderia acontecer entre a gente, e sabia que ela também estava sentindo o mesmo.

E assim, o ritual da noite começava, ela sempre chegava primeiro que eu, e já ajeitava uma mesa própria para nós dois. Naquela noite, eu sabia que alguma coisa poderia acontecer, e no momento que cheguei, percebi pelo seu olhar que algo era inevitável.

Pedimos como sempre uma entrada de fritas, com a cervejinha bem gelada ao lado, mas nesse dia nenhuma palavra estava saindo de nossas bocas, apenas os nossos olhares que não se desviavam... Parecia que nós conversávamos por pensamento, nossas mãos se tocavam e fazíamos carícias um no outro. Nós tínhamos chegado a um ponto em que não poderia haver mais retorno.

Na saída do barzinho, um casal se esbarrou nela fazendo com que ela tropeçasse em minha direção. Prontamente a segurei pelos ombros, e naquele momento o impulso falou mais alto. Frente a frente um do outro, nossos corpos se tocando, nós não conseguimos resistir e nos beijamos.

Parecia durar uma eternidade. Podíamos sentir nossos corações batendo cada vez mais fortes. Naquele momento, naquela calçada, naquela noite, estávamos nos tornando um só corpo, uma só alma... Mas como se fosse um aviso dos céus, um trovão anunciando a chuva que estava por vir, nos separou e nos trouxe de volta a realidade nua e crua.

Eu não posso, ela disse, e continuou: Você sabe que não podemos. O que vivemos aqui todas essas noites era mais como um sonho, daquilo que poderia ter sido, mas não foi. Temos uma vida aqui fora e não podemos comprometê-la mais do que já fizemos, é hora de parar. Eu te amo, mas não posso abandoná-los. Tenho responsabilidades... (nesse momento lágrimas caiam pelo rosto) Você sabe do que estou falando...

E então naquela chuva ela se foi para nunca mais voltar. E eu ali parado, esperando que ela voltasse de encontro aos meus braços...

Ainda vou sempre naquele bar na esperança que um dia eu possa encontrá-la, mas como sempre, permaneço só na mesma mesa que um dia eu e ela dividíamos.

E toda vez que cai um trovão, ainda mais se for numa sexta a noite, lembro daquele momento que foi tão singular e tão real para mim. Um sonho que nunca poderia ter dado certo.

Um amor que nunca, jamais poderia ser concretizado!
(by A. J. Rosário - 15/02/2008)
Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.
Crônica publicada no CrazySeawolf's Blog

Fonte da imagem: Relâmpagos
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