domingo, 12 de dezembro de 2010

Um papo muito estranho

Encontrei a Sandra quase que por acaso. Eu tinha ido ao banco para pagar algumas contas, e na saída do mesmo comecei a observar algumas calças em promoção das lojas. E eu como sempre desastrado caminhando pela rua, acabei trombando nela.



Uau, ela continuava exuberante mesmo após quase 15 anos, da última vez que a vi. Vou confessar, ela foi minha aluna e sempre tive uma quedinha por ela. Eu me segurava, já que relação professor-aluna sempre termina de uma maneira bem ruim, e guardei o meu desejo, até aquele momento.

Convidei-a para tomar algo numa lanchonete e ela aceitou. Ela me contou que tinha feito administração de empresas, e que estava trabalhando numa multinacional, a mesma que ela entrou na época do estágio. Se financeiramente ela estava, que indo muito bem, emocionalmente percebi que ela estava um caco. Seus relacionamentos sempre deram por água abaixo porque os homens da vida dela nunca suportaram o fato dela ser independente. E assim ela continuava sozinha.

Percebi que essa era a minha deixa. Eu iria catar aquela que um dia foi uma adolescente que arrasava na escola, que preenchia os meus sonhos mais promíscuos . Aquela que todos queriam possuir. E já fui atacando:
- Que tal se a gente pudesse sair qualquer fim de semana desses? Você sabe que eu te desejava, não é mesmo?
- É, percebia isso direto... Parecia que você queria me comer com os olhos... - Disse ela.
E eu continuava:
- Infelizmente eu era o seu professor, mas agora creio que não há nada que impeça de algo acontecer, certo?
Ela deu uma hesitada que parecia estranha e disse:
- Cara, eu sairia com você agora, à qualquer momento, mas...
Ela parou e eu impaciente:
- Mas mas o que? O que te impede disso?
E ela:
- Você não vai me levar a mal, mas não dá...
- Mas, não dá porque? Não sou o seu tipo, sou feio, gordo... Qual o problema?
E ela então veio com a bomba:
- É que você é professor...
E eu indignado:
- E qual o problema de eu ser professor? Não sou um bicho do outro mundo, sou um ser humano como qualquer outro que há por aqui. Não estou entendendo...
- Veja, como eu disse eu sairia com você a hora que quisesse, adoraria fazer loucuras entre quatro paredes contigo, mas... você é professor... Entende?
- Pera ai, não estou entendendo nada, você está tirando sarro da minha cara? - Retruquei porque a coisa estava muito estranha. - O que a minha profissão tem a ver com o fato de nós nos relacionarmos?
Sem dar uma resposta concreta, ela pegou a sua bolsa, se levantou e saiu da lanchonente enquanto eu falava. Assim que ela desapareceu da minha visão, fiquei ali sentado, com a boca aberta e os olhos cerrados de tanta indignação.
Porra, que fato tinha eu de ser um professor? Realmente fiquei sem entender nada. Será que sou mesmo um ser de outro mundo?
(by A. J. Rosário - 12/12/2010)
Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.
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