terça-feira, 13 de julho de 2010

A Escuridão

Fonte: Blog do Favre
A escuridão me envolve por completo, como se eu tivesse sendo engolido por um buraco negro de dimensões grotescas. Como cheguei até aqui, eu não sei. Não conseguia compreender o que estava acontecendo. Só sei que a razão me foge totalmente, enquanto o medo começa a me dominar por completo.

De repente, bem ao fundo, um ponto brilhante, uma fagulha, que simplesmente aflora como se fosse uma saída, um escape, o prenúncio da minha libertação.




Quanto mais vou me aproximando, aquele ponto vai tomando uma certa forma, consigo perceber a silhueta de uma pessoa , uma figura feminina que abre os braços e que me agarra tão fortemente e eu quase sem forças, vou me sucumbindo a ela. Posso sentir seus braços me envolvendo e todo o meu corpo sendo levado numa dança sensual que faz estremecer. Não consigo dizer nada, não consigo fazer nada, sinto-me totalmente dominado por ela.

Ela me devorava com uma volúpia que eu nunca antes havia presenciado numa mulher e eu ali passivo, só podia sentir aquela sensação que entorpecia todo o meu corpo. Naquele momento ela usava e abusava de mim de tal maneira que eu, simplesmente, me deixei levar pelo calor do momento.

O tempo havia perdido o seu sentido. A escuridão ali continuava, e apenas o seu brilho forte, que ofuscava os meus olhos, era a única coisa que ali existia. E lá estava eu, prostrado a seus pés, sendo manipulado de todas as maneiras possíveis, obedecendo aos seus comandos mais vis.

Eu era simplesmente o seu objeto de prazer. Um escravo de seus desejos mais sombrios. Minha intimidade toda revelada sem que eu pudesse pelo menos também desfrutar de seu corpo, pois de alguma maneira, eu me sentia paralisado ante a sua presença forte, ante a sua beleza infinita, ante ao seu toque enebriante.

E naquele clímax, naquele momento mais forte e febril, ela simplesmente desapareceu me deixando ali, sozinho, sem forças, flutuando naquela imensa escuridão que parecia não ter fim, e de repente, da mesma maneira que ali eu tinha chegado, voltei para a minha cama, exausto, ofegante, suado e assustado. O coração batia forte, pernas e braços doloridos.
A pura realidade tão nua e crua!
(by A. J. Rosário - 19/12/2008)
Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.
Crônica publicada no CrazySeawolf's Blog
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