sábado, 22 de maio de 2010

Dona Zizu

Ahhhhh... Quem não se lembra da dona Zizu? Aquela senhora que morava no nº 45, da rua Amadeu Fontoura, que adorava fazer doces e quitutes aos montes, e depois distribuía entre as crianças da rua? Era uma festa, aos fins de semana a casa dessa velha senhora era lotada de crianças, não só da rua, mas também das outras bem próximas.

Aliás, Dona Zizu era muito querida pelos moradores, era como se fosse a mãe mais velha de todos, seus conselhos eram sempre levados a sério e para qualquer decisão tomada, Dona Zizu era sempre a primeira a ser ouvida. Se aquela rua fosse um reino, Dona Zizu certamente seria a rainha.


Zizu era apenas um apelido cuja origem tinha se perdido no tempo. Seu nome verdadeiro ninguém sabia, de onde ela nasceu ou veio eram verdadeiras incógnitas, mas quem se importava? Era uma senhora tão doce, de uma religiosidade tão extrema que caia nas graças de todos que a conheciam pela primeira vez.Sempre com a resposta na ponta da língua, essa mulher idosa esbanjava em sabedoria e discernimento.

Dona Zizu morava só numa casa bem antiga, deixada como herança de seu marido, que pouco se sabe quem era. Aliás, nunca ninguém tinha conhecido o falecido naquela rua. Só o que se sabia era que ele tinha dado muito duro na vida, para construir aquela casa. Nunca tiveram filhos. Na verdade, Dona Zizu considerava todos os moradores daquela rua como seus filhos, e a recíproca era verdadeira.

Como era uma pessoa muito religiosa, e possuía uma casa bem grande, Dona Zizu cedeu parte de seu terreno para a construção de uma igreja evangélica, a Fortuna Divina de Deus, que era muito freqüentada por pessoas que não moravam na rua. Certos cultos adentravam a madrugada mas ninguém reclamava, porque não havia gritos histéricos e cantoria, eles sempre oravam em silêncio. Apenas um leve barulho de alguma máquina ou motor se fazia ouvir, mas que em nada que incomodasse os vizinhos.

Ás vezes, Dona Zizu viajava e ficava uma ou duas semanas fora, e quando voltava, era só alegria. Ela trazia muitos presentes para as crianças, além de lembranças para a maioria dos moradores.

E assim a vida permanecia calma naquela rua...

Mas naquela manhã de terça feira, a rua estava muito movimentada com muitos carros de polícia, muita gente da rádio, TV e jornal. Tinha acontecido algo que deixou muita gente horrorizada e apreensiva por causa daquela noticia espantosa que insistia em percorrer todos os meios de comunicação:
”Nessa manhã de terça, foi finalmente presa uma criminosa há muito procurada pela polícia federal. Ela era a líder de uma quadrilha assaltante de bancos e de falsificadores que agia em todo o território nacional.

Armelinda da Cruz Inocêncio tinha 63 anos e foi presa em sua própria residência num bairro da zona norte de Crisolândia. Quando a polícia entrou na casa, a velha senhora estava conferindo várias sacolas cheias de notas de 50 reais, provavelmente oriunda de algum roubo ou de falsificação, já que também foram encontradas equipamentos usados para falsificar dinheiro na própria Igreja..."

É... As aparências realmente enganam...

(by A. J. Rosário - 10/03/2008)
Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.
Crônica publicada no CrazySeawolf's Blog
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